Forças ocultas na prefeitura? Movimentações no secretariado de Itapetinga acendem alerta

A administração municipal de Itapetinga vive um momento de tensão e desconfiança após movimentações no primeiro escalão que contrariam o discurso de campanha do prefeito Eduardo Hagge (MDB). A demissão do economista Watson Barreto, conhecido no meio político local por sua postura austera, honestidade e resistência ao chamado “jogo da conveniência”, foi o estopim para que setores da cidade levantassem suspeitas sobre a atuação de forças ocultas nos bastidores do poder.
O economista, que ocupava a Secretaria de Finanças, era visto como um nome técnico e contrário à política franciscana do “toma lá dá cá”. Sua saída abriu caminho para a chegada de um novo secretário, oriundo de Vitória da Conquista, o que gerou questionamentos sobre a capacidade técnica do quadro local e a suposta existência de um movimento para “lotear o poder” e beneficiar interesses externos em detrimento da gestão pública. Assim, grupo externo consolida mais um membro na administração; agora na finança! Coincidência?
Troca de comando na administração municipal de Itapetinga gera suspeitas sobre influências externas

A nomeação de um “forasteiro” para um cargo estratégico, somada à demissão de um servidor de perfil irrepreensível, reacendeu na memória política da cidade episódios marcantes de gestões passadas que terminaram em graves prejuízos financeiros e bloqueios de bens. Analistas políticos e cidadãos atentos ao cenário municipal apontam para um “sinal amarelo” que deve servir de alerta ao próprio prefeito.
O receio é de que Hagge, ao ceder a pressões externas, repita o trágico destino de antecessores que confiaram em assessores inescrupulosos e viram seus patrimônios pessoais ameaçados. Não faltam exemplos na história recente de Itapetinga para corroborar esse temor.
Demissão de economista e chegada de “forasteiro” reacendem temores de velhas práticas na prefeitura de Itapetinga

Em episódio que até hoje é lembrado nos corredores da prefeitura, o então prefeito José Otávio (PFL) teve suas contas investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) após um sorteio que mirou sua gestão. Na ocasião, três advogados, um contador, um membro da comissão de licitação e o próprio prefeito tiveram bens bloqueados pela Justiça.
Outro caso emblemático envolveu o prefeito Zé Carlos, durante a CPI da Bernardo Vidal. Acreditando em “malandros do direito” que o cercavam, o gestor viu-se obrigado a desfazer-se de parte significativa de seu patrimônio para não perdê-lo integralmente, em um claro exemplo de como a falta de critério nas escolhas políticas pode custar caro.
Diante desse histórico, a recomendação que ecoa entre os observadores da política local é de cautela. O prefeito Eduardo Hagge, que ainda está no início de seu mandato, é aconselhado a proteger seu patrimônio e, principalmente, sua imagem, mantendo-se atento às influências que podem comprometer não apenas sua administração, mas também sua vida pessoal. A população itapetinguense, por sua vez, segue atenta, na expectativa de que os princípios de transparência e competência prevaleçam sobre os interesses ocultos que parecem, mais uma vez, tentar ditar as regras do jogo.