Por Gabriel Gomes
“Existe crime em todo lugar, inclusive dentro desta Casa”. Essa frase, dita pelo influenciador Thiago Torres, conhecido como Chavoso da USP na Câmara de São Paulo, desestabilizou e levou à loucura o vereador bolsonarista Rubinho Nunes (União Brasil), e outros representantes da extrema direita durante depoimento na “CPI dos Pancadões”, nesta quinta-feira (28). Além de Chavoso, também participou da sessão o produtor Henrique Alexandre Barros Viana, o “Rato”, da produtora Love Funk.
Presidente da comissão, Rubinho Nunes fez inúmeros ataques diretos na tentativa de acuar e pressionar Thiago Torres, que, sem se intimidar, deu inúmeras respostas que provocaram visível nervosismo nos parlamentares da direita. Em dado momento, Rubinho chegou a ameaçar o jovem com voz de prisão no plenário. Os vídeos viralizaram nas redes sociais.
A chamada “CPI dos Pancadões”, proposta por Rubinho Nunes, tem tentado, desde a instalação, criminalizar o funk e a juventude periférica, associando ao crime organizado.
Rubinho Nunes (União Brasil). (Foto: André Bueno/Câmara Municipal de São Paulo)
Em outro momento da sessão, Rubinho diz que “tem um visão bastante diferente da realidade” de Chavoso da USP. “É porque você não mora na periferia”, respondeu o jovem. Logo após, Rubinho tenta dizer que não é “defensor de criminosos”. “Não? Você defende o Pablo Marçal e o Bolsonaro”, rebateu novamente Thiago Torres.
Em maio deste ano, Rubinho Nunes foi condenado pela Justiça Eleitoral a oito anos de inelegibilidade e teve seu mandato cassado por uso indevido de meios de comunicação. A decisão apontou que Nunes, junto ao candidato a prefeito Pablo Marçal (PRTB), divulgou informações falsas para atacar o então candidato Guilherme Boulos (PSOL), atribuindo a ele acusações sem provas de uso de drogas.
O ICL Notícias conversou com o youtuber e influenciador Chavoso da USP sobre os acontecimentos e a repercussão da sessão da CPI dos Pancadões na quinta-feira (28). “Eu não me senti intimidado, mas era o objetivo dele (Rubinho Nunes) me intimidar e me colocar contra a parede, me incriminar, tentar, inclusive, gerar provas contra mim, fazendo perguntas sem cabimento e querendo induzir respostas”, disse
“Em um determinado momento, o Rubinho chegou a dizer que eu defendia criminosos. Claramente, ele queria me assustar, me amedrontar e me intimidar. Não fiquei assim porque eu estou acostumado a lidar com lixos assim. Eu sou uma pessoa forte e corajosa, estava bem amparado por dois advogados. Mas, claramente, ele tinha esse intuito”, completou Chavoso.