Como os festejos do São João, que acabou antes da quarta-de-cinzas, o governo Hagge pode ruir antes do fim

O prefeito Eduardo Hagge (MDB) tenta corrigir os próprios erros, mas se vê cada vez mais envolto por velhas figuras da política municipal. Embora não ocupem cargos na administração, esses grupos já ditam os rumos do governo. Com o afastamento de quatro vereadores da sua base aliada, Hagge tornou-se alvo fácil de novas forças políticas. Esses grupos, inclusive, já garantiram a presidência da Câmara para o biênio 2027/28 — e, curiosamente, contou com os votos dos próprios opositores do prefeito para eleger o candidato apoiado por ele. Fica a pergunta: teria o prefeito acertado o tom para convencer seus adversários a votarem no seu nome ou seus novos aliados mostraram competencia?
No cenário eleitoral, os sinais de desgaste se acumulam. Parte expressiva dos contratados pela prefeitura indica que não votará nos candidatos do prefeito, e o mesmo racha se repete na Câmara de Vereadores: entre os que ainda o apoiam no Legislativo, há divisão em relação a candidaturas para deputado, com apoios dispersos para outros partidos, contrariando a orientação oficial do MDB. Em relação a chapa eleita para administrar a Câmara de Vereadores não tem nenhum nome do partido do prefeito -MDB-. Tudo indica que Eduardo Hagge caminha para uma derrota nas próximas eleições — e o termômetro disso está na condução desastrada da política e administração local.
A metáfora do palanque que desabou
Assim como os festejos de São João, o governo municipal corre o risco de ruir antes do tempo, caso não se realinhe. A lógica lembra a teoria do caos —e ou a lei de Murphy: tudo o que começa errado tende a terminar pior. A gestão pública, nesse sentido, assemelha-se ao palanque que cedeu durante as festividades juninas: sem planejamento espacial, sem estratégia, sem comando claro, o futuro tende ao colapso. Basta um empurrão para que tudo desabe.
E mais: com tamanha incompetência política, o que restará a Hagge será o mesmo cenário vivido pelo desastrado governo de Zé Carlos Moura (PT), entre 2008 e 2012, que só se salvou da derrota graças a obras do governo estadual e federal. A história, ao que parece, está prestes a se repetir.