Rodrigo Hagge em um Penhasco Político.

A eleição de outubro de 2022 permanece, até hoje, um impasse estratégico mal resolvido entre os grupos políticos locais. Excesso de confiança, amadorismo e o silêncio da oposição na campanha permitiram que, pela primeira vez, um grupo conquistasse um terceiro mandato consecutivo na Prefeitura de Itapetinga. Ainda assim, o MDB — embora vitorioso — encontra-se à deriva. Seus vereadores estão divididos e distantes do Executivo, e há indícios de que três nomes com apoio da base disputarão vaga na Assembleia Legislativa.

Nesse cenário de instabilidade, o ex-prefeito Rodrigo surge como pré-candidato a deputado estadual, mas envolto em contradições. No início do ano, rumores indicavam que ele teria buscado apoio da candidata derrotada nas últimas eleições. Rodrigo é oposição ao governador Jerônimo, enquanto Cida Moura (PSD) derrotada, sua suposta aliada, integra a base do governo. Qualquer aproximação, portanto, esbarraria na Lei da Fidelidade Partidária.

Rodrigo vive um dilema: fora do MDB, perde base, estrutura e palanque com Jerônimo e Lula (PT). Seus apoiadores seriam forçados a migrar ou se manter invisíveis, por fidelidade partidária. Se optar pelo PL ou União, enfrenta outro risco: caso ACM Neto não se candidate ao governo, seu palanque será esvaziado, com pouca projeção para eleger deputados.

Enquanto isso, Eduardo Hagge e o MDB local seguem alinhados ao governo estadual e federal, firmes com Jerônimo. Se Rodrigo migrar para a oposição, os vereadores do MDB não poderão apoiá-lo publicamente.

A metáfora é clara: fora do MDB, Rodrigo perde as pernas; sem ACM Neto como candidato, perde também as asas. E, sem pernas nem asas, o que resta é o abismo. Que ele abra os olhos — antes que seja tarde.

 

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