Oito de março: nada a comemorar! O caminho é lutar contra mídia e estruturas sociais disseminadoras de preconceitos contra as mulheres.

8 de março: nada a comemorar!

Por: Jorge F. Rodrigues

Pedagogo/Gestor Público

A cada ano, quando o dia 8 de março se aproxima, a grande mídia e boa parte da sociedade se mobilizam para celebrar a mulher com flores, mensagens romantizadas e homenagens superficiais. É um espetáculo de afeto que, na verdade, escamoteia as raízes profundas da desigualdade. Essa abordagem maniqueísta, que reduz a data a um conto de fadas, serve para distanciar responsabilidades — como se as agressões, as discriminações e os feminicídios fossem frutos de casos isolados, e não consequências diretas de uma estrutura social forjada pelo poder patriarcal, por dogmas religiosos e por uma cultura que insiste em tratar a mulher como objeto de desejo e posse.

Mas, afinal, o que exatamente temos a comemorar? Seria motivo de festa sabermos que, no Brasil, uma mulher é violentada sexualmente a cada seis minutos? Ou que a maioria dos boletins de ocorrência por violência doméstica envolvem casais que se declaram evangélicos, revelando que a fé, tantas vezes usada como escudo moral, não tem sido capaz de frear a barbárie dentro de casa? E o que dizer da política de liberação de armas, que, ironicamente, atinge justamente as mulheres como principais vítimas da violência armada? No ano passado foram assassinadas 4 mulheres por dia, cerca de 1500 durante o ano.

Congresso Nacional: maioria de homens em contraste a maioria de eleitoras mulheres.

Esses dados, contundentes e dolorosos, jamais ganharão manchetes nos grandes veículos de comunicação. Em seu lugar, abre-se espaço para figuras como o pastor André Valadão — milionário e influente — que, em nome de uma pretensa moralidade, orienta pais a não colocarem seus filhos e filhas na universidade para que não aprendam “hábitos mundanos”. O que essa postura revela, na verdade, é uma estratégia deliberada de doutrinação das massas desinformadas, com o objetivo claro de manter privilégios de uma elite econômica e religiosa que se perpetua no poder à custa da ignorância alheia. É a hipocrisia social travestida de conselho espiritual.

Vivemos sob o jugo de pautas morais seletivas, em que os mesmos conservadores que condenam publicamente o que praticam às escondidas — em suas “quatro paredes” — alimentam um projeto de poder que sufoca qualquer política pública voltada para a autonomia e independência das mulheres. Enquanto a mulher for tratada como coadjuvante de sua própria história, enquanto sua dor for silenciada por flores e discursos vazios, o 8 de março continuará sendo não um dia de celebração, mas um grito entalado na garganta. Um lembrete de que a luta, infelizmente, está longe de terminar.

Nossas representantes no legislativo:

Vereadora Sol
Vereadora Manu.
Vereadora Sibele
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