Itapetinga: Câmara de Vereadores sob Tensão e Acusações de Ambiente Hostil para Mulheres

Com uma composição desequilibrada (apenas 3 vereadoras contra 12 vereadores), o nível de beligerância aumentou significativamente. O início do conflito ocorreu durante o primeiro ato do novo parlamento: a eleição da Mesa Gestora, decidida pelo voto feminino. As três vereadoras, de partidos distintos, votaram unidas. A chapa derrotada, não satisfeita com o resultado, inaugurou um clima de misoginia e preconceito.

Segundo relatos das parlamentares, um caso emblemático envolve uma agressão verbal pejorativa nas redes sociais contra uma vereadora, Sibele Nery (PT) alvo de calúnia, difamação e injúria. A edil acionou a Justiça, e as ações continuam tramitando em juízo. Também no início dos trabalhos legislativos de 2024, o preconceito persiste, agora com caráter ideológico somado ao machismo estrutural, concluem.

A situação é agravada por um padrão atípico na Justiça: enquanto processos entre vereadores eram raros no passado, agora há múltiplos casos ativos, envolvendo conflitos entre vereadoras e vereadores (e vice-versa). Essa judicialização intensa e os ataques pessoais evidenciam um ambiente tóxico e hostil, especialmente prejudicial à representação feminina e ao funcionamento democrático da Casa.

Além dos ataques no exercício parlamentar, ocorreram nos últimos dias, nas redes sociais, agressões e perseguição à parlamentar Sol dos Animais (Solidariedade). Ela identifica os ataques como uma ação deliberada de grupos na internet e pessoas insatisfeitas com suas posições no plenário da Câmara. A parlamentar procurou, na última quinta-feira (4 de setembro), o “Mais Mulheres” – grupo da União de Mulheres de Itapetinga – para buscar proteção para as mulheres parlamentares.

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