Em estradas de entrada e saída de Itapetinga, observa um cenário triste e cada vez mais comum a tomada das margens dessas estradas por lixo de toda espécie: garrafas PET, sacolas plásticas, embalagens de fast-food, fraldas descartáveis e até entulho de construção civil formam uma ferida aberta na paisagem, um retrato feio de um hábito social deseducado. Essa situação já foi objeto de denuncia desse blog à Guarda Municipal e me responderam não ser sua atribuição fiscalizar. Precisamos delegar poder de fiscalização no perímetro municipal para evitar que joguem lixo em entulho na entrada da cidade.
As consequências desse ato são múltiplas e graves. Em primeiro lugar, está o impacto ambiental. O lixo acumulado contamina o solo e os lençóis freáticos com chorume (líquido poluente resultante da decomposição de resíduos orgânicos), polui rios e córregos próximos e entope bueiros, agravando enchentes. Animais silvestres, em busca de alimento, confundem plástico com comida ou ficam presos em embalagens, morrendo de forma lenta e dolorosa.
Por fim, existe o custo social e econômico. A limpeza das margens das estradas é uma tarefa cara e perigosa, geralmente realizada por equipes da prefeitura, que precisam interromper o tráfego e colocar trabalhadores em risco. O dinheiro gasto para recolher o que foi irresponsavelmente descartado poderia ser investido em saúde, educação ou na melhoria da própria infraestrutura viária.
A solução para esse problema começa com a mudança de mentalidade. É fundamental que cada cidadão entenda o seu papel. Guardar uma embalagem vazia dentro do carro até encontrar uma lixeira é um gesto simples, mas de imenso impacto. Denunciar caminhões que despejam entulho irregularmente e apoiar políticas públicas de educação ambiental são outros passos importantes.
Precisamos resgatar o senso de pertencimento e responsabilidade. As estradas e seus entornos não são terras de ninguém; são espaços coletivos que merecem respeito. Uma cidade que respeita suas estradas é uma cidade que respeita a si mesmo, seus recursos naturais e as futuras gerações que herdarão não apenas as vias, mas a bagagem cultural de quem as preserva ou as destrói. Que possamos, portanto, transformar o trajeto em um passeio limpo e a paisagem em um bem a ser cuidado por todos.