A Câmara e o Interesse do Povo.

 

Espera-se da Câmara de Vereadores ações enérgicas: aprovar projetos que beneficiem a população e fiscalizar os órgãos públicos para o bom uso do dinheiro dos impostos. Em Itapetinga, porém, vê-se o oposto. Debates dominam-se por propostas insignificantes: nomes de ruas e bairros, discursos machistas e preconceituosos contra mulheres, ameaças e ostentação de virilidade, CPIs de ofício sem assinatura e denúncias entre pares no MP-BA – tudo visando interesses grupais e ocupação de espaço político. O que a população ganha com isso?

Um projeto de Lei sobre dar nome a um bairro na zona sul monopolizou os discursos por um bom tempo. Contudo, as obras neste mesmo bairro estão paralisadas por falta de verba, mesmo com emenda já direcionada. Urge investigar para onde foi o recurso do saneamento. É frequente vereadores usarem discursos exaltando sua “masculinidade” como suposta qualidade parlamentar. Diferenças políticas entre homens são tratadas com harmonia, o que não ocorre entre homens e mulheres.

Agora, o Legislativo de Itapetinga pode paralisar para discutir “o sexo dos anjos”: quem enviou um ofício anônimo ao governador interferindo no Judiciário? Essa pauta interessa às vilas que sofrem com falta d’água e insegurança? Ou aos trabalhadores que buscam emprego estável e transporte público digno?

Mesmo com tentativas da presidência da Câmara de pautar propostas coletivas, articulações políticas ditam o tom. Nota-se claramente que o atual prefeito venceu a eleição, mas não consolidou totalmente o poder. Setores do próprio governo municipal tentam culpá-lo (Eduardo Hagge – MDB) pelo ofício apócrifo ao Governo da Bahia (vejam no Bahia Expresso), “cara de matéria paga”. Na política, o poder não admite vácuo; espaços são disputados. É visível a antecipação da campanha eleitoral para prefeito.

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